Portugal e os portugueses desde sempre tiveram uma particular adoração por tudo o que vem de fora, por isso mesmo, mantemos este raio de baixa auto-estima nacional e esquecemo-nos de valorizar o que é nosso e como tal não criamos oportunidades para crescer e dar cartas nas mais variadas áreas empresariais, científicas e afins, como em tempos aconteceu. Mas em tempos muito idos, por isso é muito normal que muitos não se lembrem ou pensem que é fantasia, mas de facto já demos cartas em muitas áreas, como a diplomática, as ciências, as matemáticas entre outras :) . Assim, o que nos resta? Sair do país! Uma prática também ela com grande história no nosso país. E lá vamos nós de malas aviadas para um destino que não é de férias, para realizar investigação que não pode ser feita em Portugal, porque não há financiamento ou equipamento para tal, ou então vamos tentar a sorte no sentido de ganhar mais uns cobres do que em Portugal. Este sempre foi o principal motivo de saída do país, ganhar um pouco mais do que em Portugal. Então saímos do país em busca de melhores condições para ter uma velhice mais sossegada. E o que vamos fazer para os países que nos acolhem? Tudo o que houver para fazer, qualquer coisa, desde que dê para ganhar mais uns cobres e assim, vemos muitas pessoas a limpar casas de banho, empregados domésticos, a serem porteiros de casas, a trabalhar na construção civil. São trabalhos honestos e honrados, mas sabe-se lá porquê, em Portugal (estou a falar da questão territorial), as pessoas desdenham dessas profissões, de tal modo que quando deixámos de ser um país “exportador” de mão de obra e passámos a receber cidadãos de outros países, a primeira coisa que se fez foi deixar de desempenhar essas tarefas. Não consigo perceber de facto, porque raio é que em Portugal não só se desprezam tanto tarefas e profissões que os nossos emigrantes desempenharam e ainda hoje realizam nos países que os acolhem a ponto de se negarem a realizá-las. Ainda para mais quando muitos gritam alto e bom som que os imigrantes só vieram roubar o trabalho aos portugueses! Então, mas não são os portugueses que não querem realizar essas tarefas, desempenhar essas profissões? Já se esqueceram que eles estão a fazer exactamente a mesma coisa que nós fizemos em tempos idos, quando fomos nós quem saiu para procurar melhores condições, nem que para isso tivéssemos de fazer o que os outros não queriam? Os imigrantes apenas estão a tentar a sorte num país com menos condições que o nosso. Eu sei que parece difícil haver algum país pior que o nosso, mas acreditem, existem muitos países por aí com condições bem piores do que as nossas e essas pessoas que querem procurar melhores condições têm tanto direito a fazê-lo quanto nós o fizemos e continuamos a fazer. Está certo que com a imigração começaram a notar-se e a sentir-se algumas situações que antes passavam despercebidas, como o aumento da criminalidade, aspectos que não eram muito focados pela comunicação social e que têm sido mais visados com esta situação conjuntural a nível sócio-económico. Mas não pensem que foram os imigrantes que trouxeram a criminalidade, ela já existia, assim como existia em França, na Alemanha ou outros países para onde os portugueses emigraram e também eles foram alvo das críticas sociais e responsabilizados por todos os males dos países de acolhimento. Compreendo que a situação económica é má, que muitos estão desempregados, que cada vez mais custa chegar ao fim do mês, excepto claro está para a classe política e para os cada vez mais ricos, é duro, e o mais fácil é culpar quem consideramos “estranho”, mas eles, os imigrantes também têm as suas dificuldades, a crise não lhes passa ao lado, o serem olhados de lado também não, a vida para eles é tão ou mais dura do que a nossa, afinal não estão no seu país. Não estou a responsabilizar ou a desresponsabilizar ninguém por coisa alguma, mas assim como há portugueses bons também os há maus, assim como em qualquer povo, em qualquer nação, temos o bom, o mau e o péssimo, é uma questão de pertencermos à espécie humana, não a um local geográfico específico. Estamos todos a lutar pelo mesmo: a nossa sobrevivência. Uns emigram, outros imigram!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Dia de bruxas ou Pão por Deus?
Somos animais de hábitos e então os portugueses têm o mau hábito de achar que tudo o que vem de fora é que é bom e aquilo que é nosso não vale nada. Até parece que estou a ver o Eça (Eça de Queiroz) a abanar a cabeça e a pensar para com os seus botões: será possível que não sejamos capazes de mudar?
E a que propósito vem este discurso? Precisamente por causa do dia que hoje se celebra um pouco por toda a parte, o dia das bruxas. O dia das bruxas tem origem celta, foi levado para os Estados Unidos no século XIX, fruto da emigração e foi-se enraizando neste país. As pessoas basicamente mascaram-se para afugentar os espíritos malignos e fazem algumas partidas uns aos outros, e aqui envolvem-se mais as crianças que vão pedindo um doce em cada casa que passam, ou um doce, ou uma travessura. Em Portugal, a moda do Dia das bruxas, começou muito devagarinho e neste momento transformou-se em mais uma festa temática para se fazer dinheiro. Apesar de não haver a parte mais dedicada às crianças, com o “doce ou travessura”, os adultos e adolescentes aproveitam para se libertarem um pouco, fazerem festas, mascararem-se, até porque o Carnaval é um período muito pequeno, e assim terem uma verdadeira justificação para se divertirem.
Desta forma vai-se perdendo a nossa tradição, uma coisinha muito simples e que por acaso se destina mais às crianças. O dia 1 e 2 de Novembro têm conotações fortemente religiosas, sendo o dia de todos os Santos e o dia dos finados em que se presta homenagem aos mortos. É nesse seguimento que segue a tradição do Pão por Deus, também conhecida pelo Dia do Bolinho. No dia 1 de Novembro, as crianças saem, normalmente depois do serviço religioso e percorrem as ruas das suas aldeias ou cidades, indo a casa das pessoas pedir o Pão por Deus, ou como se diz na minha terra: pedir o bolinho de pão de Deus. Antigamente as pessoas davam às crianças sempre alguma coisa de comer, pois havia pouco para oferecer. Hoje em dia dão-se acima de tudo doces e dinheiro. Esta é uma tradição que se está a perder.
E a que propósito vem este discurso? Precisamente por causa do dia que hoje se celebra um pouco por toda a parte, o dia das bruxas. O dia das bruxas tem origem celta, foi levado para os Estados Unidos no século XIX, fruto da emigração e foi-se enraizando neste país. As pessoas basicamente mascaram-se para afugentar os espíritos malignos e fazem algumas partidas uns aos outros, e aqui envolvem-se mais as crianças que vão pedindo um doce em cada casa que passam, ou um doce, ou uma travessura. Em Portugal, a moda do Dia das bruxas, começou muito devagarinho e neste momento transformou-se em mais uma festa temática para se fazer dinheiro. Apesar de não haver a parte mais dedicada às crianças, com o “doce ou travessura”, os adultos e adolescentes aproveitam para se libertarem um pouco, fazerem festas, mascararem-se, até porque o Carnaval é um período muito pequeno, e assim terem uma verdadeira justificação para se divertirem.
Desta forma vai-se perdendo a nossa tradição, uma coisinha muito simples e que por acaso se destina mais às crianças. O dia 1 e 2 de Novembro têm conotações fortemente religiosas, sendo o dia de todos os Santos e o dia dos finados em que se presta homenagem aos mortos. É nesse seguimento que segue a tradição do Pão por Deus, também conhecida pelo Dia do Bolinho. No dia 1 de Novembro, as crianças saem, normalmente depois do serviço religioso e percorrem as ruas das suas aldeias ou cidades, indo a casa das pessoas pedir o Pão por Deus, ou como se diz na minha terra: pedir o bolinho de pão de Deus. Antigamente as pessoas davam às crianças sempre alguma coisa de comer, pois havia pouco para oferecer. Hoje em dia dão-se acima de tudo doces e dinheiro. Esta é uma tradição que se está a perder.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A politicamente correcta “Terceira Idade”
Hoje estou sentada na estação de comboios à espera que chegue o meu meio de transporte, que é, deixa lá ver, hum, pois isso mesmo, o comboio :)
Deixando-me de brincadeiras, cheguei, sentei-me e como faço habitualmente olhei em volta e o que vejo? Muitas pessoas :) E lá estou eu a levar outra vez para a brincadeira. Perdão, é para descomprimir de mais um dia longo e complicado como o raio.
Agora sim, vamos lá ao que interessa, destas pessoas contam-se muitos jovens, alguns casais e desses despertou-me a atenção um casal com uma certa idade que está mesmo à minha frente.
Já não é a primeira vez que quero falar sobre este assunto, a idade, mais precisamente aquilo que se chama a terceira idade, se quisermos ir pelo aspecto politicamente correcto, mas que muitos conhecem como sendo velhice ou a segunda infância.
Cruzo-me todos os dias com pessoas idosas, que já ultrapassaram a barreira dos 70 há muito tempo e que andam frescos que nem pêros e outros que estão mesmo em baixo.
Não consigo deixar de pensar, como me sentirei se chegar àquela idade, mas acima de tudo se conseguirei suportar o desprezo que esta sociedade dedica de forma tão ostensiva às pessoas que chamamos de idosas, ou em português corrente, velhos! :(
Não consigo deixar de sentir pena e frustração, principalmente quando percebo que são pessoas humildes, aquelas de quem os contadores do conto do vigário adoram, pois apesar dos anos de vida, não conseguem lidar com a falta de ética, honra e dignidade que por aí anda. São pessoas simples, modestas, com várias dificuldades, que apesar disso ainda nos conseguem dar um sorriso, esperando que na nossa frieza e no nosso corre-corre, se devolva esse mesmo sorriso. Imagino a tristeza destas pessoas, porque não conseguem conversar com ninguém, pois hoje em dia ninguém é “de confiança” e podem acabar sem o pouco que conseguiram amealhar ao longo de uma vida e com tanto esforço, ou mortos num qualquer canto de sua casa, despojados de qualquer dignidade. Imagino como é difícil para eles perceberem porque raio corremos tanto e nos comportamos como se meio mundo nos devesse alguma coisa, mas o que me custa mesmo é sentir que a maior tristeza destas pessoas, que não são assim tão poucas como isso, é a solidão, com quem têm de viver todos os dias. Por isso mesmo existem tantos suicídios neste país, suicídios de quem ninguém fala, apesar de ser um crime social, uma vez que as pessoas desistem de viver, porque estão sós, porque a sociedade para a qual trabalharam os trata como lixo, ou melhor, nem os trata como lixo, simplesmente ignora-os. Também não é bem assim, se estivermos a falar de um lar, onde se deixa um balúrdio, para ali se despejarem vidas, com as quais deixámos de saber lidar, aí sim, todos se lembram dos velhotes.
Porque afinal é disso que se trata, os velhotes deixaram de ter uma real utilidade para a sociedade actual, até porque somos uns seres extraordinários, já nascemos a saber tudo, pelo que não precisamos das pessoas que conhecem a escola da vida para nos passarem informações, para nos ensinarem, até porque corremos tanto que dificilmente vamos chegar à idade deles, uma vez que morremos pelo caminho com um enfarte do miocárdio, ou somos vítimas de AVC ou de qualquer outra daquelas doenças da moda como a diabetes ou a obesidade mórbida. Nesta perspectiva de facto não vale a pena socorrermo-nos das pessoas que efectivamente detêm o conhecimento, pois não iremos precisar desses sábios conhecimentos e conselhos, uma vez que estaremos mortos muito antes de virmos a precisar de utilizar os conselhos.
A Internet e os livros não sabem tudo, nem dizem tudo, a experiência de um indivíduo não é a experiência de milhões de indivíduos, é apenas uma ínfima parte.
Peço perdão por este texto tão grande, mas tinha que desabafar. Pegando num ditado popular muito antigo: “Velhos são os trapos”, eles, os idosos podem ser velhos mas não são trapos, são pessoas como nós, merecem todo o respeito do mundo e está mais na hora de voltarmos a respeitar estas pessoas.
Deixando-me de brincadeiras, cheguei, sentei-me e como faço habitualmente olhei em volta e o que vejo? Muitas pessoas :) E lá estou eu a levar outra vez para a brincadeira. Perdão, é para descomprimir de mais um dia longo e complicado como o raio.
Agora sim, vamos lá ao que interessa, destas pessoas contam-se muitos jovens, alguns casais e desses despertou-me a atenção um casal com uma certa idade que está mesmo à minha frente.
Já não é a primeira vez que quero falar sobre este assunto, a idade, mais precisamente aquilo que se chama a terceira idade, se quisermos ir pelo aspecto politicamente correcto, mas que muitos conhecem como sendo velhice ou a segunda infância.
Cruzo-me todos os dias com pessoas idosas, que já ultrapassaram a barreira dos 70 há muito tempo e que andam frescos que nem pêros e outros que estão mesmo em baixo.
Não consigo deixar de pensar, como me sentirei se chegar àquela idade, mas acima de tudo se conseguirei suportar o desprezo que esta sociedade dedica de forma tão ostensiva às pessoas que chamamos de idosas, ou em português corrente, velhos! :(
Não consigo deixar de sentir pena e frustração, principalmente quando percebo que são pessoas humildes, aquelas de quem os contadores do conto do vigário adoram, pois apesar dos anos de vida, não conseguem lidar com a falta de ética, honra e dignidade que por aí anda. São pessoas simples, modestas, com várias dificuldades, que apesar disso ainda nos conseguem dar um sorriso, esperando que na nossa frieza e no nosso corre-corre, se devolva esse mesmo sorriso. Imagino a tristeza destas pessoas, porque não conseguem conversar com ninguém, pois hoje em dia ninguém é “de confiança” e podem acabar sem o pouco que conseguiram amealhar ao longo de uma vida e com tanto esforço, ou mortos num qualquer canto de sua casa, despojados de qualquer dignidade. Imagino como é difícil para eles perceberem porque raio corremos tanto e nos comportamos como se meio mundo nos devesse alguma coisa, mas o que me custa mesmo é sentir que a maior tristeza destas pessoas, que não são assim tão poucas como isso, é a solidão, com quem têm de viver todos os dias. Por isso mesmo existem tantos suicídios neste país, suicídios de quem ninguém fala, apesar de ser um crime social, uma vez que as pessoas desistem de viver, porque estão sós, porque a sociedade para a qual trabalharam os trata como lixo, ou melhor, nem os trata como lixo, simplesmente ignora-os. Também não é bem assim, se estivermos a falar de um lar, onde se deixa um balúrdio, para ali se despejarem vidas, com as quais deixámos de saber lidar, aí sim, todos se lembram dos velhotes.
Porque afinal é disso que se trata, os velhotes deixaram de ter uma real utilidade para a sociedade actual, até porque somos uns seres extraordinários, já nascemos a saber tudo, pelo que não precisamos das pessoas que conhecem a escola da vida para nos passarem informações, para nos ensinarem, até porque corremos tanto que dificilmente vamos chegar à idade deles, uma vez que morremos pelo caminho com um enfarte do miocárdio, ou somos vítimas de AVC ou de qualquer outra daquelas doenças da moda como a diabetes ou a obesidade mórbida. Nesta perspectiva de facto não vale a pena socorrermo-nos das pessoas que efectivamente detêm o conhecimento, pois não iremos precisar desses sábios conhecimentos e conselhos, uma vez que estaremos mortos muito antes de virmos a precisar de utilizar os conselhos.
A Internet e os livros não sabem tudo, nem dizem tudo, a experiência de um indivíduo não é a experiência de milhões de indivíduos, é apenas uma ínfima parte.
Peço perdão por este texto tão grande, mas tinha que desabafar. Pegando num ditado popular muito antigo: “Velhos são os trapos”, eles, os idosos podem ser velhos mas não são trapos, são pessoas como nós, merecem todo o respeito do mundo e está mais na hora de voltarmos a respeitar estas pessoas.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Sobre a terrinha
Não irei fazer nenhum texto de quilómetro como é meu hábito, apenas irei deixar a morada onde, quem quiser, pode ir cuscar o meu mais recente trabalho sobre a minha terrinha :)
http://www.cultural-expressions.eu/
Espero que gostem:)
http://www.cultural-expressions.eu/
Espero que gostem:)
domingo, 13 de setembro de 2009
História II
Na nossa memória os momentos que acabam por ser mais marcantes são aqueles que se relacionam com a violência, ou que resultam de momentos de violência. Acredito que tal se deva a uma característica muito humano, que por mais que queiramos contradizer está lá e se chama sadismo e voyeurismo.
Alguns momentos que assisti e dos quais me recordo, estão inevitavelmente ligados a momentos desses, e claro, pelos mais variado motivos, é esse o tipo de informação que estão dispostos a dar-nos.
Vou tentar dar uma continuidade aos eventos mundiais que tive a oportunidade de ver acontecerem ao longo da minha simples existência.
Voltamos a teatros de guerra, uma coisa que o ser humano parece apreciar muito e empresas produtoras de material bélico ainda mais, desta forma temos um combate em 2 partes, a guerra do Iraque, iniciou com o pai Bush (presidente dos EUA), teve uma pausa durante a governação Clinton e depois o filho Bush recomeçou, pois o Saddam tinha de morrer e ali haviam armas nucleares que tinham de ser neutralizadas. Sim que isto de ter armas nucleares é só para alguns. Resultado, milhares de mortos e atentados, jovens que são mobilizados para guerras que não lhes dizem respeito (a merda do costume), e tudo no fundo porquê? Pela sede de poder e pela fome de petróleo. Matou-se um ditador, sim, é certo, mas quantos continuam a morrer por… sabe-se lá bem porquê, porque o ditador morreu, mas a guerra continua. Afeganistão é mais um palco bélico, mas do continente africano ninguém fala, não sei bem porquê, até porque diariamente são milhares as pessoas que fogem para não morrer, são outras tantas as que morrem, não tanto por causa de balas, mas porque nada têm para comer, pois o campo de refugiados já ultrapassou a capacidade de acolhimento há muito e nãos e conseguem mantimentos para todos, as condições não são as melhores e as doenças proliferam. Mas desses ninguém fala, desses ninguém se interessa, afinal não há ali nenhuma riqueza natural. Se em Darfur (Sudão) existisse tanto petróleo como em Angola, certamente já a secretária de estado dos EUA já lá tinha ido dar uma palavrinha e já tinha enviado reforços para acabar com os combates, motivados aparentemente por guerras religiosas. Essa é de qualquer modo a nova moda do século XXI a “guerra Santa”. Talvez não lhe devesse chamar isto, pois essa já aconteceu, mas é o que infelizmente constatamos: os chamados actos terroristas (pois não se sabe bem que é o atacante) é justificado pelas diferenças religiosas, a guerra no Afeganistão também diz ter carácter religioso, no Paquistão, Índia, o inconclusivo conflito entre Israel e Palestina, mais uma questão religiosa. Bolas estes deuses venerados por estas pessoas devem estar muito “orgulhosos” dos seus seguidores, devia ser mesmo isto que eles gostariam de verificar se viessem cá à terra. Enfim, a religião é motivo para conflitos bélicos, o petróleo é motivo para confrontos bélicos, a droga é motivo para confrontos bélicos, os desejos de autonomia, o desenvolvimento económico, se analisarmos bem, o que não é motivo para não desatarmos para aí aos tiros a matar o primeiro que nos aparece à frente? Neste momento, aparentemente, nada! E dizem-se seres racionais! Ena que espectáculo!! Imaginem se não fossem racionais.
Mas fugi ao meu tema, as coisas que vi e continuo a ver.
Não há apenas guerras, felizmente, também há coisas boas e outras estranhas, daquelas que nos esquecemos muito rapidamente, demasiado rápido. Por exemplo a nossa esperança de vida aumentou, porque as condições de vida melhoraram. Apesar das pessoas se estarem a transformar em seres muito pouco presencialmente sociais, estamos perante o desenvolvimento das nossas (des)capacidades sociais através de redes sociais na Internet, que não nos obrigam a falar directamente com uma pessoa e permitem-nos ser actores de forma mais activa. Apareceram muitos instrumentos tecnológicos que nos facilitam a vida laboral e familiar, mas caso haja um apagão, há muita gente que vai ter um colapso nervoso, pois estamos “electro dependentes”. Todos os dias há avanços na área da saúde, já se conseguem fazer transplantes de órgãos, como por exemplo de pulmões, mas infelizmente cresceu o mercado negro de órgãos humanos, tudo tem um reverso da medalha não tem?
Na União Europeia inventou-se uma moeda única que inicialmente se chamava Ecu, mas que foi alterada para Euro, porque, pelo menos por cá, já existiam as belas das piadas, mais ou menos como o novo documento de identificação que inicialmente apelidaram de cartão único (CÚ) e por motivos creio que óbvios alteraram para documento único J Mais um desses resultados da tecnologia, que já valeu a Portugal algumas menções honrosas lá por fora, pois temos brilhantes cientistas, que infelizmente continuam a fugir de Portugal, porque não lhes criam as condições para ficarem e depois admiram-se que existam avanços noutros países e aqui os caramelos ficam a olhar para ontem. A velha história do Velho do Restelo, é uma doença crónica da qual não nos conseguimos livrar, arre lá prá sarna!!!
Mas vamos ficar por aqui, já me alonguei, já falei de outras coisas que não momentos específicos, prometo que vou pensar noutras coisinhas :)
Alguns momentos que assisti e dos quais me recordo, estão inevitavelmente ligados a momentos desses, e claro, pelos mais variado motivos, é esse o tipo de informação que estão dispostos a dar-nos.
Vou tentar dar uma continuidade aos eventos mundiais que tive a oportunidade de ver acontecerem ao longo da minha simples existência.
Voltamos a teatros de guerra, uma coisa que o ser humano parece apreciar muito e empresas produtoras de material bélico ainda mais, desta forma temos um combate em 2 partes, a guerra do Iraque, iniciou com o pai Bush (presidente dos EUA), teve uma pausa durante a governação Clinton e depois o filho Bush recomeçou, pois o Saddam tinha de morrer e ali haviam armas nucleares que tinham de ser neutralizadas. Sim que isto de ter armas nucleares é só para alguns. Resultado, milhares de mortos e atentados, jovens que são mobilizados para guerras que não lhes dizem respeito (a merda do costume), e tudo no fundo porquê? Pela sede de poder e pela fome de petróleo. Matou-se um ditador, sim, é certo, mas quantos continuam a morrer por… sabe-se lá bem porquê, porque o ditador morreu, mas a guerra continua. Afeganistão é mais um palco bélico, mas do continente africano ninguém fala, não sei bem porquê, até porque diariamente são milhares as pessoas que fogem para não morrer, são outras tantas as que morrem, não tanto por causa de balas, mas porque nada têm para comer, pois o campo de refugiados já ultrapassou a capacidade de acolhimento há muito e nãos e conseguem mantimentos para todos, as condições não são as melhores e as doenças proliferam. Mas desses ninguém fala, desses ninguém se interessa, afinal não há ali nenhuma riqueza natural. Se em Darfur (Sudão) existisse tanto petróleo como em Angola, certamente já a secretária de estado dos EUA já lá tinha ido dar uma palavrinha e já tinha enviado reforços para acabar com os combates, motivados aparentemente por guerras religiosas. Essa é de qualquer modo a nova moda do século XXI a “guerra Santa”. Talvez não lhe devesse chamar isto, pois essa já aconteceu, mas é o que infelizmente constatamos: os chamados actos terroristas (pois não se sabe bem que é o atacante) é justificado pelas diferenças religiosas, a guerra no Afeganistão também diz ter carácter religioso, no Paquistão, Índia, o inconclusivo conflito entre Israel e Palestina, mais uma questão religiosa. Bolas estes deuses venerados por estas pessoas devem estar muito “orgulhosos” dos seus seguidores, devia ser mesmo isto que eles gostariam de verificar se viessem cá à terra. Enfim, a religião é motivo para conflitos bélicos, o petróleo é motivo para confrontos bélicos, a droga é motivo para confrontos bélicos, os desejos de autonomia, o desenvolvimento económico, se analisarmos bem, o que não é motivo para não desatarmos para aí aos tiros a matar o primeiro que nos aparece à frente? Neste momento, aparentemente, nada! E dizem-se seres racionais! Ena que espectáculo!! Imaginem se não fossem racionais.
Mas fugi ao meu tema, as coisas que vi e continuo a ver.
Não há apenas guerras, felizmente, também há coisas boas e outras estranhas, daquelas que nos esquecemos muito rapidamente, demasiado rápido. Por exemplo a nossa esperança de vida aumentou, porque as condições de vida melhoraram. Apesar das pessoas se estarem a transformar em seres muito pouco presencialmente sociais, estamos perante o desenvolvimento das nossas (des)capacidades sociais através de redes sociais na Internet, que não nos obrigam a falar directamente com uma pessoa e permitem-nos ser actores de forma mais activa. Apareceram muitos instrumentos tecnológicos que nos facilitam a vida laboral e familiar, mas caso haja um apagão, há muita gente que vai ter um colapso nervoso, pois estamos “electro dependentes”. Todos os dias há avanços na área da saúde, já se conseguem fazer transplantes de órgãos, como por exemplo de pulmões, mas infelizmente cresceu o mercado negro de órgãos humanos, tudo tem um reverso da medalha não tem?
Na União Europeia inventou-se uma moeda única que inicialmente se chamava Ecu, mas que foi alterada para Euro, porque, pelo menos por cá, já existiam as belas das piadas, mais ou menos como o novo documento de identificação que inicialmente apelidaram de cartão único (CÚ) e por motivos creio que óbvios alteraram para documento único J Mais um desses resultados da tecnologia, que já valeu a Portugal algumas menções honrosas lá por fora, pois temos brilhantes cientistas, que infelizmente continuam a fugir de Portugal, porque não lhes criam as condições para ficarem e depois admiram-se que existam avanços noutros países e aqui os caramelos ficam a olhar para ontem. A velha história do Velho do Restelo, é uma doença crónica da qual não nos conseguimos livrar, arre lá prá sarna!!!
Mas vamos ficar por aqui, já me alonguei, já falei de outras coisas que não momentos específicos, prometo que vou pensar noutras coisinhas :)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
História
Há já bastante tempo que este texto aguarda a sua vez, pelo que é hoje o seu dia e o meu esperado regresso, pelo menos de uma forma mais assídua.
A nossa vida é uma pequena história no meio de milhões e milhões de histórias. É efectivamente aquilo que popularmente dizemos, “Uma gota no oceano”. Vivi pouco ou muito, depende da perspectiva das pessoas, mas efectivamente vivi e assisti de bancada a muitos acontecimentos e aí percebemos que as coisas são efectivamente cíclicas, pois temos alguns momentos de prosperidade e outros em que parece que tudo vai desabar.
Algumas das coisas que até agora assisti: A URSS, vulgo União Soviética, deixou de o ser, a Perestroika de Mikail Gorbatchev, levou à separação da grande potência, pôs em evidência o político Boris Yeltsin pois colocou-se em frente a um tanque, muito à semelhança do que aconteceru na praça de Tianamen na China, em que os estudantes universitários pretenderam operar uma revolução e acabaram por acordar consciências, ou melhor chamar a atenção para a China, para a liberdade, ou falta dela neste país, bem como para os direitos Humanos neste país, ou a falta deles. Mas voltando à URSS, nasceram, desta potência uma série de novos países, que continuam a lutar pela sua identidade. A Rússia continua a ser uma grande potência, principalmente a nível bélico e continua a dar cartas na política internacional, principalmente por controlarem mercados tão importantes como o petróleo e o gás.
Mas a nível do mapa da Europa esta não foi a única alteração de fronteiras. Todo o bloco do Pacto de Varsóvia sofreu alterações. Por exemplo o que era mais visível desta divisão de ideais políticos era o muro de Berlim, na Alemanha que separava as duas “Alemanhas”: Alemanha Federal e Alemanha Democrática. Este muro veio abaixo em 1989 e passámos a ter uma Alemanha unificada. Na Roménia o seu ditador foi assassinado e a Jugoslávia do General Tito deixou de existir, marcando o período mais longo de conflito bélico no continente europeu até ao momento (após a Segunda Guerra Mundial). Como em qualquer guerra quem sofre são os do costume: mulheres, idosos e crianças, e nesta não foi excepção. Assistimos a imagens que fizeram recordar os registos existentes sobre a Segunda Guerra Mundial, e os campos de concentração onde se fazia limpeza étnica. Sim isso aconteceu no final do século XX, mais precisamente na década de 90. Deste conflito, nasceram mais uma série de países, mas estas feridas ainda não estão saradas.
Mas não são só coisas negativas, também as há assim, assim e daquelas boas: Portugal entrou na CEE em 1986, e mais tarde a CEE passou a chamar-se União Europeia. De 12, a família de países foi aumentado até chegar ao número actual de países, 27. Ainda há muitos países a querer aderir à EU, e outros que continuam a não querer fazer parte e manter o seu estatuto e a sua neutralidade.
Ganhámos medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos: Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, e em 2008 Nelson Évora. Ganhámos medalhas de prata e de bronze. Após quase 20 anos sem ter a selecção de futebol em grandes competições, as coisas começaram a correr melhor, se bem que continuamos sem títulos a nível da equipa principal. O hóquei em patins deixou de ter a importância que tinha, apesar de continuarem a dar cartas e a ganhar medalhas a nível europeu e mundial.
Portugal continua a viver no limbo e na cauda da Europa, mas os portugueses continuam a conseguir sobreviver, são os perfeitos engenheiros financeiros (somos os MAIORES!!!).
Quando eu era miúda, ninguém falava em telemóveis, playstation ou computadores. Hoje não passamos sem estes mecanismos de comunicação como são os telemóveis, ou os computadores e todos os putos sonham ter o último modelo da playstation ou da psp, que é basicamente a mesma coisa, mas com um design diferente. De brincadeiras na rua com os amigos, passou-se a brincar-se em frente a um ecrã, normalmente sozinho. Não se podem deixar os miúdos sozinhos, pois ou são raptados, ou roubados, ou sofrem qualquer outro tipo de violência. Para se fazerem 200 metros até à loja vai-se de carro e depois fala-se do incrível aumento da obesidade, principalmente da obesidade infantil e gastam-se milhares a tentar solucionar o problema, criado pelas tecnologias e pelo marasmo em que as famílias e as pessoas em geral caíram.
Muitas outras coisas se podem dizer, vou ver se me lembro de mais algumas, mas por ora ficamos por aqui.
Mas a nível do mapa da Europa esta não foi a única alteração de fronteiras. Todo o bloco do Pacto de Varsóvia sofreu alterações. Por exemplo o que era mais visível desta divisão de ideais políticos era o muro de Berlim, na Alemanha que separava as duas “Alemanhas”: Alemanha Federal e Alemanha Democrática. Este muro veio abaixo em 1989 e passámos a ter uma Alemanha unificada. Na Roménia o seu ditador foi assassinado e a Jugoslávia do General Tito deixou de existir, marcando o período mais longo de conflito bélico no continente europeu até ao momento (após a Segunda Guerra Mundial). Como em qualquer guerra quem sofre são os do costume: mulheres, idosos e crianças, e nesta não foi excepção. Assistimos a imagens que fizeram recordar os registos existentes sobre a Segunda Guerra Mundial, e os campos de concentração onde se fazia limpeza étnica. Sim isso aconteceu no final do século XX, mais precisamente na década de 90. Deste conflito, nasceram mais uma série de países, mas estas feridas ainda não estão saradas.
Mas não são só coisas negativas, também as há assim, assim e daquelas boas: Portugal entrou na CEE em 1986, e mais tarde a CEE passou a chamar-se União Europeia. De 12, a família de países foi aumentado até chegar ao número actual de países, 27. Ainda há muitos países a querer aderir à EU, e outros que continuam a não querer fazer parte e manter o seu estatuto e a sua neutralidade.
Ganhámos medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos: Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, e em 2008 Nelson Évora. Ganhámos medalhas de prata e de bronze. Após quase 20 anos sem ter a selecção de futebol em grandes competições, as coisas começaram a correr melhor, se bem que continuamos sem títulos a nível da equipa principal. O hóquei em patins deixou de ter a importância que tinha, apesar de continuarem a dar cartas e a ganhar medalhas a nível europeu e mundial.
Portugal continua a viver no limbo e na cauda da Europa, mas os portugueses continuam a conseguir sobreviver, são os perfeitos engenheiros financeiros (somos os MAIORES!!!).
Quando eu era miúda, ninguém falava em telemóveis, playstation ou computadores. Hoje não passamos sem estes mecanismos de comunicação como são os telemóveis, ou os computadores e todos os putos sonham ter o último modelo da playstation ou da psp, que é basicamente a mesma coisa, mas com um design diferente. De brincadeiras na rua com os amigos, passou-se a brincar-se em frente a um ecrã, normalmente sozinho. Não se podem deixar os miúdos sozinhos, pois ou são raptados, ou roubados, ou sofrem qualquer outro tipo de violência. Para se fazerem 200 metros até à loja vai-se de carro e depois fala-se do incrível aumento da obesidade, principalmente da obesidade infantil e gastam-se milhares a tentar solucionar o problema, criado pelas tecnologias e pelo marasmo em que as famílias e as pessoas em geral caíram.
Muitas outras coisas se podem dizer, vou ver se me lembro de mais algumas, mas por ora ficamos por aqui.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Nós Europeus"
Há alguns dias ia eu com o meu belo espírito da mula para o trabalho e não sei porque carga de água olhei para os outdoors dos partidos políticos, plantados bem à beira da estrada. Quem me conhece sabe bem que sou “apartidária”, pelo que aquilo que vou escrever não é de todo uma opinião política, mas sim uma reflexão e constatação de algo que considero ser pura e simplesmente óbvio.
Assim sendo e voltando algumas linhas atrás, lá ía eu quando dei de caras com os outdoors e quase corro o risco de acidente tal não é a estupidez que leio, pelo menos para mim é. Um dos outdoors de um dos partidos nacionais tem o seguinte slogan: “Nós Europeus”.
Deu-me vontade de rir, de chamar uma série de nomes, impropérios e afins às aves raras que idealizarem esta campanha e aos ainda mais raros espécimes que aprovaram a mesma, senão vejamos:
1- Portugal é um dos vários países que pertence a um continente que se chama Europa. Os habitantes deste continente são apelidados de EUROPEUS. Portanto, a não ser que o nome do continente Europa tenha sido alterado, sem que para tal se informassem, ou questionassem os seus habitantes, à imagem do que aconteceu em Portugal relativamente ao Acordo Ortográfico em que a lei obriga uma pessoa a deixar de falar uma língua que sempre conheceu, negando a evolução linguística, por motivos meramente políticos, continuamos a ser EUROPEUS, porque vivemos na EUROPA.
2- Para quem o argumento do continente ainda não foi suficientemente claro, podemos partir para um conceito ainda mais restrito que é o da União Europeia, que apenas engloba parte dos países que pertencem ao continente Europa, mas, mais uma vez não fomos tidos nem achados quanto ao nome da instituição e portanto é o que há. Deste modo e indo directamente ao que me trouxe a este ponto, Portugal é um dos países da União Europeia. Está certo que quando ingressámos nesta família no remoto ano de 1986, ainda se chamava CEE: Comunidade Económica Europeia (para quem não se lembra, ou nasceu já depois desta denominação). De qualquer modo pertencemos a esta família Europeia deste 1986 (23 anos), logo também por este prisma somos europeus há já alguns anitos, certo?
Agora vêm estes caramelos, fazer grandes outdoors a dizer “Nós Europeus”. Será que acham que somos burros, estúpidos, idiotas, ou estão de facto tão ocos, tão vazios, que não se conseguiram lembrar de mais nada? Será que pensam que descobriram a pólvora?
É isso!!!! Perdão, ocorreu-me agora que aquilo que de facto aconteceu foi que aqueles que inventaram e aprovaram esta campanha, descobriram agora que são europeus e que na realidade estão a informar todos os portugueses dessa sua descoberta e/ou constatação, caso prefiram. É uma justificação lógica não?
De facto só esta explicação consegue justificar-me tal afirmação, sem que para isso me sinta insultada.
No que a mim diz respeito, e, isto podia muito bem ser o ponto 3, pois ainda abordo uma esfera ainda mais restrita, ou seja: a minha. Quero com isto dizer que eu, mais uma dos milhões de cidadãos desta Europa e deste Portugal, nasci num país Europeu, seja por fazer parte do continente Europa, mas também por pertencer à União Europeia, logo, desde que nasci que sou Europeia, portanto sou confrontada com duas situações: a primeira em que me sinto envergonhada porque apenas em 2009, os políticos que pretendem representar os portugueses na Europa tenham descoberto que somos Europeus e a segunda em que penso positivo e em que agradeço a amabilidade de parte da classe política em querer informar os portugueses que eles FINALMENTE descobriram que são Europeus, daí nascendo o “Nós Europeus”.
Assim sendo e voltando algumas linhas atrás, lá ía eu quando dei de caras com os outdoors e quase corro o risco de acidente tal não é a estupidez que leio, pelo menos para mim é. Um dos outdoors de um dos partidos nacionais tem o seguinte slogan: “Nós Europeus”.
Deu-me vontade de rir, de chamar uma série de nomes, impropérios e afins às aves raras que idealizarem esta campanha e aos ainda mais raros espécimes que aprovaram a mesma, senão vejamos:
1- Portugal é um dos vários países que pertence a um continente que se chama Europa. Os habitantes deste continente são apelidados de EUROPEUS. Portanto, a não ser que o nome do continente Europa tenha sido alterado, sem que para tal se informassem, ou questionassem os seus habitantes, à imagem do que aconteceu em Portugal relativamente ao Acordo Ortográfico em que a lei obriga uma pessoa a deixar de falar uma língua que sempre conheceu, negando a evolução linguística, por motivos meramente políticos, continuamos a ser EUROPEUS, porque vivemos na EUROPA.
2- Para quem o argumento do continente ainda não foi suficientemente claro, podemos partir para um conceito ainda mais restrito que é o da União Europeia, que apenas engloba parte dos países que pertencem ao continente Europa, mas, mais uma vez não fomos tidos nem achados quanto ao nome da instituição e portanto é o que há. Deste modo e indo directamente ao que me trouxe a este ponto, Portugal é um dos países da União Europeia. Está certo que quando ingressámos nesta família no remoto ano de 1986, ainda se chamava CEE: Comunidade Económica Europeia (para quem não se lembra, ou nasceu já depois desta denominação). De qualquer modo pertencemos a esta família Europeia deste 1986 (23 anos), logo também por este prisma somos europeus há já alguns anitos, certo?
Agora vêm estes caramelos, fazer grandes outdoors a dizer “Nós Europeus”. Será que acham que somos burros, estúpidos, idiotas, ou estão de facto tão ocos, tão vazios, que não se conseguiram lembrar de mais nada? Será que pensam que descobriram a pólvora?
É isso!!!! Perdão, ocorreu-me agora que aquilo que de facto aconteceu foi que aqueles que inventaram e aprovaram esta campanha, descobriram agora que são europeus e que na realidade estão a informar todos os portugueses dessa sua descoberta e/ou constatação, caso prefiram. É uma justificação lógica não?
De facto só esta explicação consegue justificar-me tal afirmação, sem que para isso me sinta insultada.
No que a mim diz respeito, e, isto podia muito bem ser o ponto 3, pois ainda abordo uma esfera ainda mais restrita, ou seja: a minha. Quero com isto dizer que eu, mais uma dos milhões de cidadãos desta Europa e deste Portugal, nasci num país Europeu, seja por fazer parte do continente Europa, mas também por pertencer à União Europeia, logo, desde que nasci que sou Europeia, portanto sou confrontada com duas situações: a primeira em que me sinto envergonhada porque apenas em 2009, os políticos que pretendem representar os portugueses na Europa tenham descoberto que somos Europeus e a segunda em que penso positivo e em que agradeço a amabilidade de parte da classe política em querer informar os portugueses que eles FINALMENTE descobriram que são Europeus, daí nascendo o “Nós Europeus”.
Vamos votar em qual?
Subscrever:
Mensagens (Atom)